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Afoxé Omo Oyá abre desfile de rua no Taboão neste sábado

Afoxé é uma manifestação religiosa e cultural de matriz africana que desfila no Carnaval e que também é conhecida como “candomblé de rua”.

Neste sábado (28) escolas de samba e afoxés desfilam, a partir das 19h, na rua Lauro de Gusmão Silveira, no Taboão (atrás do Atacadão). Organizado pela Liga de Escolas de Samba de Guarulhos (Liesg), o evento, repleto de símbolos de resistência, será aberto pela apresentação do afoxé Omo Oyá, na Ala dos Povos Originários, com bênção da via para que as escolas desfilem.

Com 11 anos de história, o afoxé Omo Oyá representa a tradição do Carnaval no município e será composto por três alas: Para Além da Charanga, Capoeira e Balé & Estandarte.

O afoxé é uma manifestação religiosa e cultural de matriz africana que desfila no Carnaval e que também é conhecida como “candomblé de rua”. Ele é originário da Bahia e mistura ritmos como o ijexá, danças indumentárias e cânticos sagrados, que representam um cortejo de resistência negra e religiosa que leva orixás ao espaço público.

Idealizados em terreiros, os afoxés trazem elementos simbólicos e são guiados por toques de atabaques, agogôs e xequerês. Contudo, ao contrário de um bloco carnavalesco comum, o afoxé é uma expressão religiosa que sacraliza as ruas durante o desfile. Trata-se de uma das manifestações da cultura negra mais antigas da Bahia, sendo que o mais famoso deles é o Filhos de Gandhy, fundado em 1949.

Para o subsecretário da Igualdade Racial, Jorge Caniba Batista dos Santos, o desfile de afoxés é considerado um patrimônio imaterial que reforça a identidade, a história e a resistência do povo negro.

A ala dos povos originários na cidade homenageia a composição indígena do Carnaval que, ao trazer a diversidade de culturas, criou um momento que unirá alegria e potência em cada detalhe. Guarulhos, assim como todo o território brasileiro, é terra originária e a participação de seus protagonistas é fundamental em um dos mais importantes momentos culturais do ano.

De acordo com a organizadora desta ala, Day Poyanawa, da etnia puri, historicamente o Carnaval sempre foi ato político, assim como a arte é política. Para ela, que é coordenadora de cursinhos populares da Aldeia Multiétnica Filhos Desta Terra, quando deixou de ser realizado em Guarulhos durante um período significou o silenciamento do povo. O retorno neste ano não é apenas uma festa, mas o retorno dos movimentos sociais unidos.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 91573-9718 ou então pelo Instagram @afoxeomooya.

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