Camila Rhodes, Pamela Regina e Guinho Nascimento apresentam mostra de processos artísticos no Sesc Guarulhos
Pesquisas artísticas desenvolvidas ao longo dos encontros lançou um novo olhar para a cidade e se multiplicaram em saberes em arte-educação
Os resultados dos processos artísticos dos laboratórios de Arte-Educação do Sesc Guarulhos, oferecidos entre os meses de abril e junho pelos artistas Camila Rhodes, Pamela Regina e Guinho Nascimento, serão representados na Mostra Artística – Laboratório de Arte Educação, em exibição a partir do próximo dia 27 de agosto, quarta-feira, às 19h, no Espaço de Tecnologias e Artes da unidade. Com foco na cidade de Guarulhos enquanto território, as pesquisas artísticas desenvolvidas ao longo dos encontros se multiplicaram em saberes em arte-educação para interessados no ensino de arte, tecnologia e criatividade, rica celebração de um processo que lançou um novo olhar para a cidade e a si mesmo.
Nesse período, os artistas ocuparam a programação do Espaço de Tecnologias e Artes (ETA) com as atividades “Aberturas de Processo” e “L.A.T.A. convida” – espaço reservado para conversas sobre mercado, processo criativo e trajetória, proporcionando a ampliação de repertório dos participantes do “L.A.T.A – Laboratório Aberto de Tecnologias e Artes” por meio da troca com artistas.
As ações do ETA estão focadas em ideias e processos colaborativos da criação de projetos, produtos e narrativas em torno das artes, partindo de um entendimento múltiplo das tecnologias – compreendendo-as em suas instâncias analógicas, digitais, sociais e em patamar de equidade com os saberes populares e ancestrais. O conhecimento compartilhado, a experimentação e o exercício da criatividade permitem desenvolver um uso crítico da tecnologia e da autonomia enquanto cidadãos para promover transformações sociais e culturais. A curadoria da programação do ETA do Sesc Guarulhos é pautada pela diversidade de proponentes, em especial aos artistas da cidade e territórios vizinhos.
O Laboratório de Arte-educação é um projeto de residência artística do Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos, no qual artistas educadores desenvolvem pesquisas artísticas e compartilham saberes de arte-educação com pessoas interessadas no ensino de arte, tecnologia e criatividade. O projeto reúne três artistas da cidade de Guarulhos na ocupação do ETA por cinco meses, com ateliê de estudos e ações formativas para o público. Ao final da residência, acontece um encerramento aberto ao público, acompanhado de um bate-papo com os artistas convidados e de uma mostra das produções realizadas durante a ocupação do ateliê.
Esse ano, celebramos os 10 anos do primeiro Espaço de Tecnologias e Artes da instituição. Desde o início, os espaços trazem a oportunidade da prática e do aprendizado artístico para todas as idades, com atividades voltadas para o público em geral – não apenas para quem tem experiência com as artes. Espalhados pelas unidades do Sesc no estado de São Paulo, os ETAs oferecem cerca de 400 atividades por mês que promovem a prática de diversas técnicas artísticas e oferecem acesso a ferramentas e equipamentos específicos e de alta tecnologia“, explicou Rafaela Vieira, técnica de Programação do Sesc Guarulhos.
Os artistas dessa edição
Guinho Nascimento

Guinho Nascimento deu início ao processo por meio do curso Arte, Educação e Território – Poéticas da Convivência, um convite à roda, ao encontro e à escuta no fazer artístico. Uma experiência em que a arte e a educação são encruzilhadas, atravessados por saberes, territórios e poéticas de interessados em mergulhar no encontro entre criação, experiência e comunidade.
“Sob uma perspectiva decolonial, a pedagogia do curso foi um convite a ‘desabitar para habitar’: deslocar olhares, reconfigurar sentidos e ampliar repertórios. Assim, entre artistas, comunidades e territórios, arte e educação se revelaram inseparáveis da vida — como quintal, terreiro, quilombo, territórios indígenas onde gerações se encontram e sustentam o mesmo chão”.
Durante a residência, o multiartista seguiu com sua pesquisa sobre Mironga e linguagens de terreiro, voltando o olhar para o território de Guarulhos. Dessa escuta e desse chão nasceu a performance Pretos do Rosário, realizada no calçadão da Dom Pedro, sobre a chamada “Área Escura” — local onde deveria estar erguida a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Ali, o gesto ritual do levantamento do mastro abriu passagem para ancestralidades negras, reafirmando a rua como território sagrado. Ao lado da Congada de Santa Efigênia de Mogi das Cruzes e do Terreiro de Umbanda Casa de Caridade Pai João da Ronda – Recanto Quiguiriça, corpo e memória ergueram um território de fé, resistência e pertencimento”.
Guinho Nascimento nasceu em Guarulhos, é educador e graduado em Artes Visuais e Dança. Em suas incursões nas Artes Visuais, dedica-se ao Desenho, Gravura, Pintura e Performance, explorando temas como Trabalho, Cotidiano, Espiritualidade e os Corpos Racializados. Sua primeira exposição individual aconteceu no Centro Cultural Olido, no centro de São Paulo, em 2017. Além disso, participou de duas Residências Artísticas em Munique, Alemanha, em 2017, como intérprete e criador do espetáculo “Album_kodex_feedback”, dirigido por Mário Lopes, e em 2019 na residência Artística PlusAfroT, com a curadoria de Diane Lima e Mário Lopes.
Pamela Regina

Em Planejamento é criação! A organização como etapa no processo criativo, Pamela Regina objetivou auxiliar artistas, produtores e gestores culturais a transformar ideias em projetos viáveis, estruturados e prontos para captação de recursos. De acordo com a arte-educadora, dialogar sobre educação, cidade e o corpo da mulher – além de suas memórias em um território que construímos a partir da vivência, foram o objeto de investigação, a partir dos seguintes questionamentos:
- O que um corpo de mulher diz quando ocupa uma cidade? Quais incômodos existem em apenas existir em um local? Quais caminhos partilhamos todos os dias e o que eles nos revelam de nossa identidade/memória/carne?.
Os meses de processo na residência reafirmaram a potência coletiva que existe em trocar e dialogar sobre saberes individuais que cada membro partilhou – mediados de maneira criativa pela equipe do ETA nas figuras de Lidia Martiniano e Jorge Buffalo”.
Para a Mostra, Pamela Regina traz a materialidade por meio de vídeo-performance e fragmentos de movimentos impulsionados por relatos construídos com áudio.
Pamela Regina é atriz, artista-educadora e produtora cultural com forte presença na cena audiovisual independente de Guarulhos. Formada em Teatro pela Universidade Anhembi Morumbi (2012), desenvolve pesquisa cênica colaborativa, centrada na construção coletiva da linguagem artística. No audiovisual, atuou e produziu Neo.Brazyl, como atriz participou de O Orgulho da Nação, Necessidade Básica? Rouxino, O Ponto e a websérie SOMBRA e FÚRIA, onde dirigiu e atuou com o Grupo Populacho – coletivo de teatro que integra desde 2006. O grupo articula teatro e pensamento crítico. Em 2024 estrearam, em parceria com o Núcleo ARRANCA, o espetáculo de carnaval Ópera do Asfalto.
Em 2013, atuou em Ba.bi.lô.nia com.pac.ta.da, contribuindo como atriz, figurinista e assistente de produção. Também participou de trabalhos com a Crua Cia e outros coletivos que mesclam teatro, performance e cinema de resistência. É produtora executiva do Cineclube Incinerante e mediadora em discussões e debates audiovisual, como o “Teatralidades e seus reflexos na produção audiovisual” – transmitido em 2021 na 7º Mostra Guarulhense de Cinema. Atuou como produtora cultural do Projeto CLAM, coletivo, selo e produtora que há mais de 17 anos impulsiona a cena cultural guarulhense. Participou da interface entre música, artes visuais e fotografia na produção da Coletânea Clam (2024), e participou do festival comemorativo realizado no Sesc Guarulhos em dezembro de 2024.
Desde 2024 exerce seu segundo mandato como conselheira de audiovisual no Conselho Municipal de Política Cultural de Guarulhos, hoje compondo e coordenando a comissão de fóruns que está em seu 7º fórum intersetorial promovendo espaços de discussão e formação sobre políticas públicas na cultura. Ministrou no Sesc Guarulhos a oficina “Planejamento é criação! A organização como etapa no processo criativo”, voltada à estruturação de projetos culturais e audiovisuais. Atualmente participa como residente no LAB do SESC GRU, além de atuar no coletivo Kinoférico como professora de preparação de elenco para cinema, conjugando sua experiência como atriz e pesquisadora, e outras ações contínuas com os coletivos.
Camila Rhodes

A partir de uma abordagem estética e sensível, Camila Rhodes convidou os participantes de Arte, Cidade e Imagem – Estéticas do Pertencimento a desenvolver um olhar atento para os elementos A artista explica que o curso combinou teoria, prática e experimentação, incentivando cada participante a construir sua própria poética urbana. “Durante o curso, minha busca foi por costurar técnica e sensibilidade, corpo e imagem, arte e espiritualidade. Levei provocações, referências e exercícios que ajudassem cada um a se reconhecer na sua própria forma de criar. E o que fica para mim é a certeza de que mais importante que ensinar a fazer uma boa foto, é ajudar a abrir espaço para que cada um descubra o que quer dizer e como quer dizer”.
No contexto da Mostra, Camila explica que os participantes trazem o resultado de um processo que começou já no primeiro encontro: um olhar que foi sendo lapidado pela escuta, pela troca e pelo corpo presente.
Alguns apresentarão fotografias autorais, outros trabalhos feitos fora da sala mas inspirados pelas provocações que vivemos juntos. Tudo é válido, o importante é que haja verdade e conexão com aquilo que nos moveu ao longo das aulas.
De acordo com a artista, sua contribuição para a Mostra são materialidades na construção de um altar simbólico, um gesto simples, mas potente, que dialoga com a ideia de que a arte também pode ser oferenda. Assim, esse altar vai abrigar fotografias impressas produzidas pelos próprios alunos e um vídeo com o registro da ação “Oferecer um Rosto à Cidade”, criando um encontro entre imagem, gesto e palavra.
Camila Rhodes, guarulhense, 35 anos, é uma artista multifacetada que transita entre a fotografia, audiovisual, artes plásticas, performance e tatuagem. Graduada em Artes pela FIG-UNIMESP e pós-graduada em Cinema, Vídeo e Fotografia pela Universidade Anhembi Morumbi, atuou por dez anos como arte-educadora, sendo três deles com turmas da EJA em uma comunidade de Guarulhos.
Hoje, sua principal linguagem é a fotografia e a direção de arte, áreas em que atua desde 2008, firmando parcerias com artistas de diversas linguagens. A partir de suas interpretações e modos de ver o mundo, propõe estudos visuais sobre o instante como forma de manifesto atemporal e lúdico. Seu trabalho mescla sensibilidade, crítica e ancestralidade, buscando narrativas que reflitam a potência do afeto e da presença.
Camila é também tatuadora no Alice Maria Estúdio e idealizadora, ao lado de dois amigos, da Produchama, uma produtora audiovisual independente que capta e dissemina expressões da cultura do rezo e saberes ancestrais no Brasil, com um olhar atento para os territórios e suas histórias.
Foi atuante em diversos coletivos da cidade e atualmente integra o quadro de fotógrafos da Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos. Além disso, desenvolve trabalhos na área da Comunicação, como capas de CDs, promos de artistas, publicações em revistas, histórias em quadrinhos, vídeos institucionais, figurinos, clipes e muito mais.
Escuta atenta ao território e à trajetória dos artistas de Guarulhos
Na unidade do Sesc Guarulhos, a curadoria da programação do ETA é pautada pela diversidade de proponentes, em especial aos artistas da cidade e territórios vizinhos. O formato da residência artística é resultado de uma escuta atenta às necessidades do território de Guarulhos e à trajetória dos artistas locais. A proposta foi moldada a partir de experiências anteriores, como os cursos conduzidos por Nádia Bosquê e Mariana da Matta, que adotaram uma abordagem experimental, poética e colaborativa com o público.
A partir da observação do Laboratório de Arte-Educação como curso, percebemos a necessidade de ampliar sua atuação: criar um espaço contínuo onde os artistas possam aprofundar suas pesquisas pessoais, ocupar o ETA como ateliê e aproximar esses processos do público.
Assim, estruturamos uma residência que oferece suporte à criação artística e promove a troca de saberes, a formação de redes e a valorização da arte como ferramenta de transformação social. O formato integra pesquisa, criação e ensino, permitindo que os artistas compartilhem seus processos com educadores e com a comunidade, fortalecendo os vínculos com o território e reconhecendo as potências já existentes na cidade.
Responsabilidade social
Guarulhos é a segunda cidade mais populosa do estado de São Paulo, e tem aproximadamente 1,4 milhão de habitantes, o que pressupõe que a cidade tem um grande fluxo de pessoas. Em maioria, seus moradores vivem em função de seus trabalhos em outras localidades e, quando se trata de movimentos culturais, dificilmente são ativos na dinâmica da própria cidade.
Diante desse contexto, o ETA do Sesc Guarulhos compreende sua responsabilidade social em ser um espaço a somar aos equipamentos e aparelhos culturais da cidade de Guarulhos, abrindo suas portas para artistas guarulhenses e contribuindo para a sua permanência na cidade.
Um pouco mais sobre o Lab
O Laboratório de Arte-educação é um projeto de residência artística do Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos, no qual artistas educadores desenvolvem pesquisas artísticas e compartilham saberes de arte-educação com pessoas interessadas no ensino de arte, tecnologia e criatividade.
O projeto reuniu três artistas da cidade de Guarulhos na ocupação do ETA por cinco meses, com ateliê de estudos e ações formativas para o público. Ao final da residência, acontece um encerramento aberto ao público, acompanhado de um bate-papo com os artistas convidados e de uma mostra das produções realizadas durante a ocupação do ateliê.
